terça-feira, 12 de julho de 2016

Dias de Tempestade - 2

Jofra tinha apenas 10 anos quando tudo aconteceu. Num sábado ensolarado, caminhava com seus pais, com a mão segurando a guia de sua companheira canina, Sophi. Jofra lembra bem daquele dia, como o dia de comprar sorvete, pois todo sábado era um dia especial, pois além de passear com seus pais e com Sophi, ele podia também experimentar o delicioso sabor de amora com chocolate, derretendo no céu da boca. Mas naquele dia, o que era para ser um dia de alegria, tudo mudou para sempre, seus pais pediram para que esperasse um momento sentado junto com Sophi, no banquinho de frente a velha macieira da cidade, um monumento de metal dourado erguido em homenagem à velha Kilimist exportadora de bebidas e sucos à base de maçãs, enquanto seus pais davam dois ou três passos para pedir e segurar os sorvetes de toda a família. Naquele dia atípico porém, o Sol se desfez, e nunca mais voltou para Jofra, um nevoeiro espesso baixou, junto com o barulho de uma tempestade se aproximando, deixando Jofra sem visão, e andando à esmo, apenas segurando na guia de Sophi. Quando o menino voltou a enxergar, já era madrugada, e Jofra estava num lugar nunca antes visto por ele mesmo, um velho cais abandonado.

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